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A sustentabilidade em alta Diversos segmentos da construção civil se mobilizam para criar soluções alternativas e, assim, atender à demanda de um público cada dia mais exigente


O conceito de sustentabilidade aplicado ao setor da construção civil não pode ser apontado como uma novidade. Já faz um certo tempo que as empresas e profissionais mais conscientes vêm alertando sobre os riscos da utilização desmedida e desenfreada dos recursos naturais e sobre a necessidade de investir em ações para preservar o meio ambiente e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida da população. Porém, é à medida que os problemas começam a aparecer e passam a afetar a rotina das pessoas na prática — como, por exemplo, a falta de água em diversas cidades do Estado de São Paulo nos últimos meses — que o assunto ganha mais importância e evidência.

Segundo a arquiteta e urbanista Paula Russo, do escritório YTA Arquitetura, o número de clientes que se preocupa com o impacto que o projeto vai causar, tanto durante os estágios da obra, quanto durante a utilização do espaço dia após dia, aumentou significativamente nos últimos meses. “Essa mudança cultural é bastante perceptível e muito positiva. A preferência do público, hoje, tende para o ecologicamente correto, e não apenas para o que é tendência no mercado. Vale lembrar que essa escolha é ampla e engloba, desde a seleção dos materiais empregados até a definição das técnicas mais adequadas para o contexto geral em que a construção está inserida. Em Ribeirão Preto, especificamente, temos uma abundância de sol e de chuva. Portanto, nada mais lógico do que tirar proveito dessa iluminação natural e da energia solar, além de apostar em sistemas de armazenamento de água para reuso na irrigação dos jardins ou nas caixas de descarga”, orienta Paula.

Para melhorar, a adoção de métodos caracterizados como racionais e limpos gera, juntamente com a sustentabilidade ambiental, uma economia expressiva para clientes e para fornecedores, combatendo todos os tipos de desperdício. “Soluções simples, como os cobogós e os brises, ou uma varanda sombreada na fachada, podem garantir máximo conforto e qualidade de vida. Nós acreditamos no potencial de desenvolvimento desse conceito aqui na cidade. Cada projeto que iniciamos é uma nova oportunidade para consolidar ainda mais essa proposta”, acrescenta a arquiteta. Um desses trabalhos promissores é a casa do engenheiro florestal Daniel Tonelli Caiche e da psicóloga Renata Tamie Nakao. O casal, bem informado e ciente do papel relevante que todos podem desempenhar em benefício dessa causa nobre, buscava um escritório que compartilhasse seus ideais e encontrou no YTA o parceiro perfeito.

Para Daniel, no cenário atual, de mudanças climáticas, escassez de recursos naturais e graves problemas urbanos, como enchentes, ilhas de calor e concentração de gases poluentes, viver de modo menos impactante deixa de ser uma opção e passa a condição essencial para manter a sanidade da cidade. Entre as medidas aplicadas no projeto estão: reaproveitamento da água das chuvas, sistema de aquecimento solar e estratégias para privilegiar a ventilação e a iluminação naturais. “Quanto aos materiais, em algumas paredes, utilizaremos a técnica milenar da taipa de pilão, que é a terra compactada. Ela traz um resultado estético interessante e ainda possibilita conforto térmico”, acrescenta Daniel. No terreno, foi reservada uma ampla metragem destinada ao verde, contribuindo para a permeabilidade do solo e para o bem-estar do casal. “Pretendemos montar um pomar onde serão cultivadas árvores frutíferas e uma horta com vegetais para nosso próprio consumo. Também poderemos usar este espaço para fazer uma composteira para tratamento dos resíduos orgânicos, gerando adubo”, revela Renata.

Do acabamento à decoração

De olho nessas mudanças no perfil da população e nos novos padrões de consumo, as fábricas que atuam na área tiveram que se movimentar para oferecer novidades que se enquadram na onda verde. “A demanda por produtos ecologicamente corretos não para de crescer. A sustentabilidade passou a fazer parte do estilo de vida de muitas pessoas. Por isso, as indústrias tiveram que pesquisar e desenvolver soluções alternativas interessantes para esse nicho de mercado. Talvez ainda não seja um fator absolutamente decisivo na hora da compra, mas, com certeza, é um item que tem ganhado cada vez mais peso”, comenta Raimar Souza Vieira de Oliveira, proprietário da Spazio Bello Acabamentos.

No showroom da loja, é possível conferir algumas linhas que se destacam nesse sentido. Uma delas é a Bio Tech, da Portinari. Com matéria-prima 100% reciclada, esse porcelanato é a sugestão do empresário para os clientes que buscam aliar a preservação ambiental à qualidade e à sofisticação de seus ambientes. “Com essa criação de sucesso, a Portinari se tornou membro do Green Building Council, maior organização internacional para desenvolvimento da construção sustentável”, acrescenta Raimar. Outras marcas, como Antigua e Castelatto, também investiram nessa tendência, lançando pisos drenantes, com absorção da água diretamente para o solo, revestimentos transparentes, que facilitam a iluminação natural, e produtos com isolamento térmico.

O ramo de móveis e de artigos de decoração também segue essa tendência. Em Ribeirão Preto, a Florense se tornou referência no tema. A fábrica, localizada no sul do Brasil, iniciou as adequações em seu parque em 1994. A implementação aconteceu de forma tão expressiva que, em 2001, a marca conquistou, de forma pioneira na América Latina, o certificado de gestão ambiental ISO 14001. Esse reconhecimento foi concedido após uma rigorosa série de auditorias, que atestaram amplo e real comprometimento da empresa com a preservação do meio ambiente. Os critérios avaliados vão desde a origem, a forma de extração e os processos produtivos das matérias-primas até a destinação final dos resíduos industriais, passando por todas as etapas de usinagem, logística e manuseio.

Os princípios sustentáveis podem ser vistos em cada uma das coleções que levam a assinatura da marca. “Já somos conhecidos pelo nosso design arrojado e pela qualidade do nosso portfólio. Porém, essa postura agrega ainda valor aos nossos produtos, colocando-nos entre as principais grifes mundiais da alta decoração. É uma medida que abraçamos agora, pensando em um futuro melhor para todos”, revela Denison Caramori, franqueado da Florense na cidade.



Em larga escala

Nos grandes empreendimentos imobiliários da cidade, como edifícios e condomínios de alto padrão, a sustentabilidade ganha dimensões ainda maiores. As principais incorporadoras e construtoras já têm essa filosofia incorporada à forma de trabalho e ao pensamento da equipe de urbanistas responsável pela elaboração dos projetos. É o caso da Stéfani Nogueira Incorporação e Construção, que tem vários produtos que contam com recursos estratégicos e diferenciados nesse sentido. Para a empresa, um dos grandes fatores que definem este conceito é a qualidade de vida natural projetada no espaço proposto, seja ele um apartamento, uma casa, uma sala comercial ou um loteamento. “Por isso, em nossas obras, optamos por um baixo adensamento — o número de pessoas por m² —, por uma rica área verde e pelo máximo de iluminação e ventilação naturais. Através desses elementos, e de muitos outros, oferecemos aos clientes a possibilidade de viver em meio ao verde, de brincar com os filhos ao ar livre e de caminhar com sensação de liberdade, sem que se sintam sufocados pelo conglomerado urbano”, descreve a gerente comercial e marketing, Fernanda Hakim Trad Defendi.

Essas características podem ser facilmente identificadas nos empreendimentos da construtora e, de uns três anos para cá, ficaram ainda mais evidentes. O Panamby é um bom exemplo. “Trata-se de um novo bairro, onde a área verde, com sua fauna e flora foram valorizadas e estão imersas na convivência das pessoas. O local ganha destaque pela localização, ao lado do Parque Luiz Roberto Jábali, conhecido como Curupira. No maior pulmão da cidade, tudo foi considerado, desde a quantidade de pessoas até o tráfego, para que o futuro morador tenha sempre a percepção e o sentimento unicidade.  Cuidar deste imenso vazio urbano em nossa cidade nos traz muita responsabilidade no decorrer desses anos, temos evoluído em sustentabilidade, justamente para garantir locais de bem-estar imensuráveis”, enfatiza Fernanda, que destaca a preocupação da incorporadora em oferecer aos clientes possibilidades de viver em meio à natureza, brincar com seus filhos e crianças ao ar livre, caminhar com sensação de  liberdade, sem que se sintam sufocados pela densidade urbana. O complexo será instalado por etapas. Por enquanto, dois lançamentos já foram apresentados: os residenciais Baraúna e Guaecá.

E não é só em Ribeirão Preto que essa conscientização se estabeleceu. Alguns imóveis que estão sendo erguidos na região também seguem pelo mesmo caminho, como o STZ Offices, em Sertãozinho. O edifício corporativo de alto padrão é resultado da união dos esforços de dois renomados empresários do setor: Júlio Souza, diretor da Pafil Empreendimentos e Nassim Mamed Jr., diretor da Pavan e Mamede. “Acreditamos que cada um tem que fazer a sua parte para preservar o meio ambiente e os recursos naturais, colaborando, assim, para construir um cenário mais favorável para as próximas gerações”, explicam os sócios. Por isso, quando projetaram o STZ Offices, decidiram fazer algo a respeito na prática.



O prédio terá captação e armazenamento da água da chuva, para reutilização em jardim, limpeza e descargas sanitárias, iluminação externa feita com LEDs para economia de energia e postes com captação de energia solar para iluminação do estacionamento, entre outros sistemas ecologicamente corretos. A iniciativa será revertida em benefícios para os usuários, tanto em bem-estar quanto em economia, com a redução dos custos com o condomínio. “Investindo na sustentabilidade, todos saem ganhando”, finalizam os empresários.Diversos segmentos da construção civil se mobilizam para criar soluções alternativas e, assim, atender à demanda de um público cada dia mais exigente e consciente.

Texto: Paula Zuliani 

* Publicado em 20/11/2014

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