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Hoje é 01 de Setembro de 2014 - Ano 28 - Edição 725

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Olhares sobre a história Revide registrou uma parcela importante da história local através da visão dos inúmeros profissionais que integraram sua equipe


Apesar de seu povo empreendedor, não é fácil investir no próprio em solo brasileiro. Mais difícil ainda é permanecer no mercado por décadas, independente do segmento de atuação. No jornalismo não é diferente, e é este o desafio enfrentado pela Revide há 28 anos. Para permanecer em circulação, a revista, que nasceu da vontade de um grupo de estudantes, liderados por Isabel de Farias, de mudar o mundo, nunca deixou de se reinventar. Mesmo tendo assumido a Secretaria da Infraestrutura, em dezembro de 2013, Bel continua acompanhando os trabalhos da revista. Tendo começado para, como o próprio nome sugere, dar uma resposta à comunicação que imperava na cidade até então, criou formatos diferenciados, produziu conteúdos especiais, tornou-se semanal, voltou a ser mensal, arriscou-se a publicar edições com até 200 mil exemplares — apenas para citar algumas das empreitadas empreendidas por Bel e endossadas, desde 1989, pelo jornalista e sócio Murilo Pinheiro, e mais tarde por Val Del Lama.

Poucos ribeirãopretanos, no entanto, conhecem, de fato, os caminhos percorridos para garantir essa longevidade, em uma trajetória construída a muitas mãos, entre fotógrafos, jornalistas, diagramadores e tantos outros profissionais que dedicaram parte de sua carreira à revista. Para resgatar essa história, que também contribuiu para o registro das mudanças da própria cidade e da região, alguns profissionais que passaram pelas redações da Revide, juntamente com alguns atuais, reuniram-se para uma sabatina com a empresária que começou tudo isso. Guto Silveira, que atualmente comanda o Portal da Revide, Ana Cândida Tofeti, uma das proprietárias da Outras Palavras Comunicação Integrada, Paulo Viarte, jornalista da Fonte Assessoria de Imprensa, Mariana Secaf, que comanda sua Ponto é Letra e eu, Luiza Meirelles, estivemos reunidos, recentemente, nos Estúdios Kaiser de Cinema. O encontro foi registrado por Julio Sian, que integra a equipe da Revide desde agosto de 1986, quando foi lançada a segunda edição da publicação.

Paulo: A Revide começou com um perfil bastante diferente, focado em política e economia, entre outros assuntos. Depois, incluiu um importante retrato social e foi se modificando com o passar dos anos, mas continua abordando assuntos variados. Quando você percebeu que deveria mudar o foco inicial?
Bel: Quando começamos, éramos muito jovens e idealistas, buscando fazer a diferença. Naquele momento, o jornalismo em Ribeirão Preto estava bastante focado no rádio. A televisão local começava a se consolidar. Não tínhamos, portanto, um jornalismo impresso forte. O Jornal A Cidade não trazia nada muito diferente do que se lia nos jornais que vinham de fora. Quando decidimos fazer uma revista, queríamos falar do que acontecia no Município. A primeira reportagem de capa, por exemplo, relatava a demolição da mansão Junqueira Lobato, um patrimônio histórico sendo colocado no chão para dar lugar a um novo prédio. Portanto, já no primeiro número, fizemos questão de chamar a atenção para um assunto que ainda hoje é tema de discussões em Ribeirão Preto. O projeto inicial, que foi desenvolvido enquanto cursávamos o último ano da faculdade de Jornalismo, foi pensado durante seis meses e lançado em julho de 1986. O resultado foi exatamente o que acreditávamos que Ribeirão Preto precisava. O primeiro número foi uma beleza, o segundo também, mas, na terceira edição, começamos a descobrir uma dura realidade: o jornalismo não vive de ideias. Como qualquer outro negócio, o jornalismo deve ser uma empresa, pois precisa de dinheiro para sobreviver. Nesse momento, a Mônica (Marques) e eu percebemos que precisávamos montar um departamento comercial bem estruturado. A parceria com a Mônica durou até a sexta edição. Seguiram-se anos difíceis, na busca de uma fórmula que pudesse manter a revista viva. Assim sobrevivemos à primeira década. Em 1997, decidimos fazer uma revista semanal, transformando nosso produto em uma revista de notícias nos moldes do que era feito nacionalmente. A revista falava de tudo, inclusive sobre crimes e outros assuntos densos. Mas aquele conteúdo não funcionava bem, e não entendíamos os motivos de tantas dificuldades. Quatro anos depois de lançar a semanal, estávamos quebrados! Tivemos, então, que começar tudo de novo. Com muita dificuldade, voltamos a ser uma publicação mensal, projeto que mantivemos até julho de 2005. Nesse período, idealizamos uma revista visualmente mais valorizada e que mostrava aquilo que dava certo em Ribeirão Preto. Lá estavam o campo de golfe, o supercarro, o apartamento bonito, entre outros temas. Só então percebemos uma boa aceitação do público e entendemos que o caminho a seguir era aquele. Em julho de 2005, retomamos a periodicidade semanal, mas já com uma nova linha editorial. Quando tomei essa decisão, nossa equipe arrepiou outra vez, mas encaramos juntos o desafio.

Guto: Nas duas décadas iniciais, imagino que foram muitos os períodos difíceis. Qual dessas fases permanece viva na sua lembrança com mais força?
Bel: Nesses 28 anos de história, a Revide mostrou o que foi o país também. Na maior parte desse período, nossa economia, por exemplo, não promovia o empreendedorismo. Até hoje continua sendo desafiador ter o próprio negócio no país. Basta dizer que boa parte das empresas criadas por aqui duram aproximadamente cinco anos e fecham as portas. Infelizmente, essa é nossa realidade. Com a Revide não foi diferente, mas, da nossa parte, houve uma insistência uma teimosia que nos levava a encontrar novos caminhos até fazer dar certo. Tenho certeza de que, no mesmo período, inúmeras empresas foram abertas e fechadas.

Paulo: Mas teve algum momento, nesses altos e baixos, em que você realmente pensou em desistir?
Bel: Isso nunca passou pela minha cabeça. A possibilidade até surgiu, quando chegamos à pior fase de todas as que passamos, em 2001, depois de testar a periodicidade semanal. Conversei com o Murilo (Pinheiro), que trabalha na Revide desde 1989 e era meu sócio desde 1992, e chegamos a duas saídas: a primeira seria ele voltar para o Rio Grande do Sul e eu, para Goiânia deixando para trás as dívidas e a fama de caloteiros; ou poderíamos ficar e assumir todas as contas, confirmando o compromisso de pagá-las como fosse possível. Escolhemos, claro, a segunda opção. Provavelmente, se um dos dois tivesse se amedrontado diante daquele cenário, o outro não teria conseguido sozinho. Mas não consideramos fugir dos problemas em nenhum momento. Sofremos bastante, pois tivemos que demitir muitos funcionários. Tive, inclusive, que vender a casa da rua Visconde de Inhaúma, pela qual eu tinha verdadeira paixão. Entregamos absolutamente tudo o que tínhamos: casa, carro e o que mais aparecesse, foi muito duro. Mas, se por um lado foi difícil, esse período também serviu para que aprendêssemos a desapegar. Com muito trabalho, conseguimos recuperar aquelas perdas aos poucos, devagar, enquanto pagávamos as dívidas. Hoje, posso dizer que não há nada mais gratificante do que deitar a cabeça no travesseiro tranquilamente, sabendo que conseguimos superar aquela fase.

Ana Cândida: Quer dizer que a própria Revide nasceu e morreu várias vezes nesse período?
Bel: Sim, várias vezes, mas a Revide nunca deixou de circular. Tivemos, sim, nos momentos mais difíceis, meses que duravam 45 ou até 60 dias. Mas, no período semanal, a Revide foi para as ruas em 52 semanas por ano. E desde 2005, no segundo período semanal, que já está prestes a completar 10 anos, nunca mais falhamos. Nesse período, posso dizer que tivemos um crescimento sustentável, pois começamos com 5 mil exemplares e fomos passando por 10, 12, 17 mil e assim, gradativamente, chegamos aos atuais 55 mil exemplares. Quando falamos para pessoas de fora que em Ribeirão Preto há uma revista semanal com 55 mil exemplares, muita gente não acredita. Para se ter uma ideia, a Época, que é nacional, tem 389 mil exemplares. Até a Veja, que já teve mais de um milhão de exemplares no país, hoje mal atinge os sete dígitos.

Ana Cândida: Lembro bem da primeira transição de mensal para semanal. Não demorou muito para que você lançasse mais um desafio: fazer uma revista com 100 mil exemplares. Como surgiu essa ideia?
Bel: A edição de 100 mil veio para atender a uma angústia pessoal: como vou fazer a cidade inteira conhecer a Revide? Um dia, tive a ideia de me informar junto ao DAERP quantas casas existiam em Ribeirão Preto naquela época. Eles estimaram que, em 1997, havia em torno de 140 mil residências. Foi assim que decidi fazer uma edição com, pelo menos, 100 mil exemplares. Tomei essa decisão e liguei na Gráfica São Francisco que, à época, não tinha uma máquina rotativa, apenas plana. Quem entende do assunto sabe que é impensável fazer uma revista com tantos exemplares em máquina plana. Mas nós fizemos! Demoramos um mês para rodar e fazer o acabamento das revistas, mas cumprimos a missão. A Valdenize Uzuelle, proprietária da gráfica, disse que eu estava maluca. Depois do trabalho concluído, distribuímos a Revide em quase toda a cidade e, a partir dali, nossa existência era conhecida. Fizemos outras edições especiais com 100 mil exemplares, temáticas, até que ousamos outra vez e publicamos uma edição de 200 mil exemplares, distribuídos em várias cidades da região. Essas experiências todas foram muito válidas, mas confesso que dependeram de uma enorme dose de teimosia.

Luiza: A Revide começou enquanto você estudava para se tornar jornalista, mas, na verdade, você se tornou uma referência no departamento comercial. Em que momento aconteceu essa mudança de direção?
Bel: Na verdade, não cheguei a ser a jornalista que pretendia. No início, fiz apenas uma entrevista e, ao longo desses anos, algumas outras, esporadicamente. Mas como, desde o projeto, eu era a pessoa que vendia a ideia da publicação com mais paixão e entusiasmo, acabei seguindo por esse caminho. Não tínhamos, como até hoje é difícil encontrar, uma grande referência na área de vendas em Ribeirão Preto. Além disso, o empresariado da cidade acabou tendo uma empatia por mim. Acho que eles ficavam até sensibilizados quando eu, uma estudante pequenininha, chegava de mobilete cheia de entusiasmo para falar sobre a revista. Isso tudo, misturado à fé quase doentia que eu tinha de que tudo daria certo, acabou contribuindo para que eu assumisse o papel comercial. Depois da chegada do Murilo, em 1989, recebi muita força para continuar vendendo. Ele acreditava, até mais do que eu, que eu tinha um talento especial para isso, além da noção do próprio jornalismo. Confesso que lutei muitos anos contra essa verdade, pois achava que desempenhava um papel menor como vendedora. O preconceito com a área de vendas, inclusive, é muito forte no Brasil — dizem até que essa atividade é ideal para quem não conseguiu ser “nada na vida” —, mas acabei me encontrando nessa função.

Ana Cândida: No jornalismo, fala-se muito que as notícias são sempre ruins — quando a informação é positiva, então é propaganda. A Revide prova que isso não é verdade absoluta. Você mesma relatou que os leitores ficam bastante incomodados com fotos e relatos densos demais, tanto no passado quanto hoje em dia. Como você explicaria essa contradição?
Bel: Nossa experiência mostrou que a revista só se tornou viável quando assumiu um compromisso com um visual mais suave e um conteúdo mais leve. Apesar disso, na minha opinião, existe um ranço com pessoas que, de uma forma ou de outra, alcançaram o sucesso. Pelé e Tom Jobim afirmaram, em algum momento, que o brasileiro não celebra o sucesso de outros brasileiros; parece que é feio mostrar o que dá certo. O que tentamos fazer foi mostrar o que funcionava baseado no trabalho. Nas nossas páginas, não havia pessoas pura e simplesmente ricas ou bonitas, mas gente que representava um bom exemplo de trabalho e, por consequência, de sucesso. Sei que é isso que o leitor gosta de ver, pois, até hoje, quando entramos em uma fase mais séria, mais sisuda, as pessoas reclamam. Ainda há preconceito em relação à Revide, como se a revista fosse feita apenas de futilidades, mas mesmo para quem critica, nossa publicação acaba se tornando fonte de matérias.

Guto: Essas críticas a incomodam?
Bel: Não mais. Sempre buscamos conversar sobre isso na redação da revista e alinhar o trabalho. Fazemos, sim, matérias comerciais, o que não exclui a qualidade de nossas reportagens. Já quiseram dar um tom pejorativo a essa característica. Mas todas as pessoas que fazem a revista ou possuem um relacionamento estreito com ela sabem que não encaramos o trabalho desta forma.

Mariana: Já no retorno da Revide semanal, a partir de 2005, foram apresentadas uma série de mudanças editoriais, como os Cadernos de Veículo, Imóvel, Teen e Moda, por exemplo. Observar o mercado e perceber os segmentos que efetivamente movimentavam a economia da cidade é uma de suas especialidades?
Bel: Isso começou com base no feeling e, posteriormente, foi confirmado pelas pesquisas do Ibope. Aquela intuição inicial se mostrou correta, e acredito muito que ainda é a essa percepção que faz a diferença. Até hoje, sinto quando a revista está precisando mudar, graças à relação de intimidade que desenvolvi com o negócio nesses anos. Ainda faço questão de ver a revista, do início ao fim, antes de levá-la para a gráfica, o que também procuro fazer pessoalmente. Mesmo quando estou de férias, acompanho a Revide por e-mail, continuamente, pois preciso desse contato. Talvez a revista seja o filho que eu não tive. Foi uma dedicação tão intensa e por tantos anos que fica difícil pensar minha vida sem a Revide. Não posso negar isso.

Guto: Você abriu mão de muitas escolhas pessoais em nome da empresa?
Bel: Sim, mas isso nunca foi um peso para mim, pois tenho uma relação muito bacana com o trabalho. Quando as pessoas me convidam para sair de férias, costumo pensar duas vezes; mas se me pedem para desenvolver um projeto novo, topo na hora! Isso talvez seja um defeito, porque acabo limitando  minhas relações, mas é quem eu sou. Apesar de haver respeito e admiração pelas pessoas à minha volta, não tenho tanta convivência fora do ambiente de trabalho. Mesmo assim, a relação estabelecida é geralmente tão boa que as pessoas que passaram por aqui, ou que ainda estão na equipe — exceções a parte —, sempre acabam retornando, mesmo que para uma visita.

Ana Cândida: Por que motivo e em que momento da sua história como empresária decidiu cursar Psicologia?
Bel: Toda rotina, chega uma hora, cansa a cabeça. Na minha concepção, deveríamos nos dedicar a uma profissão por um prazo determinado e, depois, trocar por outra. Assim, poderíamos experimentar muitas atividades diferentes: um advogado viraria um cientista, depois partiria para o jornalismo, sei lá! O doutor João Roberto, por exemplo, conseguiu fazer isso. De médico reconhecido, transformou-se em um grande chef. Há muitos anos, é nosso colunista e fotografa muito bem. Ou seja, reinventou a própria vida. Quando resolvo fazer algo diferente, estou buscando justamente me reinventar um pouco. A Psicologia representou isso para mim e me apaixonei profundamente por ela, tanto que tinha certeza de que quando concluísse o curso, iria ter um consultório. Isso nunca aconteceu, mas sem dúvida, ela me transformou numa pessoa melhor. O conhecimento nunca é demais e tem uma capacidade transformadora impressionante. Recentemente, resolvi fazer uma pós-graduação em História da Arte e, de novo, tive certeza de que queria ser uma estudiosa dessa área. Depois de concluir cada etapa, volto para o meu negócio renovada. Sem dúvida, essas experiências são fundamentais para que continuemos nosso caminho de maneira saudável.

Guto: A Revide começou no tempo da diagramação manual e hoje está inserida no mundo digital. Essa mudança também transformou a comunicação como negócio?
Bel: A tecnologia só melhorou nossa vida, em todos os sentidos. Falando especificamente da internet como meio de comunicação, este é um caminho sem volta. É preciso estar na web por meio de um Portal e desenvolver outras ferramentas ligadas ao universo digital. Estamos investindo nisso agora e imagino que não vá demorar muito até que nossa redação on-line seja tão grande ou maior do que a que temos para produzir a Revide impressa. Espero que a revista em si consiga sobreviver por mais 28 anos, mas sei que este é um sonho ambicioso. Eu, por exemplo, continuo lendo o jornal físico, não consigo gostar dos livros na tela do tablet e não abro mão do cheiro do papel, assim como prefiro anotações em caderno. Para a nossa geração e a próxima, talvez, isso seja normal. Mas as novas gerações, que já nasceram no mundo digital, não foram habituadas a isso e não vão sentir falta das mesmas coisas. Precisamos estar preparados para isso.

Paulo: Acredita que era mais fácil empreender antes da era digital?
Bel: Acho que não. Tanto antigamente quanto hoje em dia, difere-se quem é criativo. Para o empreendedor de todas as áreas, o mundo mudou muito. Além do aumento da concorrência, a forma de fazer negócios e o público são outros, tudo mudou. Mas há espaço para todos, desde que tenham boas ideias, seja na padaria, na revista ou em qualquer outro negócio. Alguns mercados vão sumir, como o de locadoras de filmes, mas até o alfaiate, aquele que é o melhor naquilo que faz, vai conseguir se manter. O que eu busco é justamente esse diferencial, seja na Revide ou no bar do meu marido, com criatividade e inovação.

Paulo: A Revide está prestes a mudar de endereço novamente e vir para os Estúdios Kaiser de Cinema. A nova mudança está relacionada a outra nova fase da própria revista?
Bel: A aquisição dos Estúdios Kaiser de Cinema é, para mim, muito emblemática. Somos a revista mais longeva da cidade e passar funcionar em um espaço que tem 100 anos, para mim, é uma enorme realização. Nosso plano é transformar este lugar e, para isso, estamos trabalhando em um projeto amplo e muito bacana, que pretende transformar esse endereço em um ponto focal diferente na cidade. Acredito muito na revitalização do Centro e pretendo ajudar a resgatar o valor que essa área ribeirãopretana deve ter. Uma cidade precisa preservar sua história, pois, se não for capaz disso, não conseguirá cuidar de mais nada. Acho que a transferência para os Estúdios Kaiser pode significar o cumprimento de um papel social importante, defendendo aquilo em que acreditamos. Essa é a meta do projeto que será apresentado em 2015.

Luiza: Apesar de não perder a Revide de vista em nenhum momento, você vive um período mais afastada da rotina da revista em função de seus cargos junto à administração municipal, como secretária de Infraestrutura e como gestora da Coordenadoria de Limpeza. Por que decidiu assumir esses papeis e como está sendo a experiência?
Bel: Esta foi a primeira vez que fui convidada a desempenhar funções públicas. Muita gente confunde porque, nos anos de 1990, o então prefeito Roberto Jábali me convidou para integrar a comissão organizadora dos festejos do aniversário de Ribeirão Preto. Aquele foi um trabalho pontual, que durou aproximadamente três meses, cuja realização me deixou bastante feliz. Mas, depois disso, não havia recebido nenhum convite, até porque era muito dedicada à Revide e não deixava espaço para isso. Agora, senti a necessidade de tentar fazer algo pela cidade. Posso dizer que esta tem sido uma das experiências mais diferentes, criativas e enriquecedoras que já vivi. Considero que estou cursando um pós-doutorado — só quem passou pelo setor público provavelmente entenderá o que estou dizendo. Aceitei o convite da prefeita Dárcy Vera porque precisava tentar, e espero conseguir, deixar minha contribuição. Acredito que o trabalho que está sendo feito — poderia ser melhor se as condições fossem outras — é diferenciado porque todos os integrantes da equipe estão, sim, dispostos a serem criativos e a buscarem alternativas. Estou muito feliz com isso.

Ana Cândida: Em uma conversa logo depois que você assumiu a Infraestrutura, você afirmou que estava cansada de conhecer apenas um lado da moeda, o da imprensa. Essa nova perspectiva mudou sua visão?
Bel: Sim, sem dúvida. Na verdade, o que falta é conhecimento sobre aquilo que se fala. As pessoas, inclusive da imprensa, não conhecem a fundo os assuntos dos quais estão falando, o que só consigo ver hoje. Além disso, há uma má vontade com aquilo que é público, por parte da sociedade também. As pessoas não se sentem responsáveis pelo que é do governo, quando, na verdade, são mais do que isso, são os verdadeiros donos daquilo que chamamos de público. Por outro lado, o setor não sabe se comunicar com objetividade e eficiência, seja com a imprensa ou com a comunidade. Acho que, sim, é preciso investir em gestão, em transparência e em muito mais do que isso. Mas acho, também, que a sociedade tem que participar mais — não uma participação interessada, de quem quer ganhar alguma coisa em troca, mas uma atuação de quem sabe que precisa cumprir seu dever e defender seu direito.




ENTRE OS PRIMEIROS

Guto Silveira ainda frequentava as salas de aula do curso de jornalismo quando começou a escrever para a Revide. Suas reportagens ajudaram a compor os primeiros números da publicação, incluindo a edição de lançamento. Depois da Revide, passou por inúmeros veículos: jornais, TV e revistas, além de assessoria de imprensa. Foi, ainda, correspondente de importantes jornais e revistas nacionais, como O Estado de São Paulo e O Globo. “Nos anos 1980, fazer jornalismo era bem mais difícil, já que não havia internet e outros meios eletrônicos que hoje facilitam a vida dos profissionais. Refazer uma matéria significava, literalmente, começar tudo de novo e, no caso de uma revista, cujos textos são mais elaborados, o desafio era ainda maior”, comenta. Maior também era o contato pessoal com cada fonte e o prazer de ter a revista prontinha em mãos. “Lembro-me de vários momentos memoráveis daqueles tempos. Nunca me esqueço de uma reportagem sobre a qualidade da cocaína na década de 90, intitulada ‘Cheire antes de usar’, uma pauta de coragem”, ressalta. Como leitor, acompanhou a trajetória da Revide e nunca duvidou, baseado na garra da Bel nos momentos difíceis que vivenciou, que a revista daria certo. Desde novembro de 2013, Guto está de volta à Revide, agora no comando do Portal.

PRAZER DE TRABALHAR EM EQUIPE

Foram quatro anos integrando o time de jornalistas da Revide, de 1996 a 2000. Em busca de uma nova experiência profissional, a assessora de imprensa e empresária Ana Cândida Tofeti deixou a equipe local da Folha de São Paulo para trabalhar na revista. “Não tínhamos fácil acesso à tecnologia, havia apenas um computador na diagramação. Mas o clima na redação era tão gostoso que tornava o trabalho extremamente prazeroso”, reforça Ana, destacando a saudade do amigo e editor José Rubens da Silva, o Rubinho, um dos jornalistas que mais tempo permaneceu na casa, falecido este ano. Entre as reportagens que desenvolveu, destaca uma que relatou a “descoberta” do coquetel de controle da aids. “Entrevistei um paciente que havia iniciado o tratamento. Para isso, transformou a cozinha da casa de um amigo em uma verdadeira farmácia. A parede era forrada de envelopes com remédios na ordem que deveriam ser administrados. Diante daquela cena, o que mais me tocou foi a força de vontade de lutar pela vida e a forma tão humana e dedicada do amigo que o ajudava a vencer cada batalha”, recorda Ana que, desde 2006, é uma das proprietárias da Outras Palavras Projetos de Comunicação, empresa que já está há 18 anos no mercado.


FASCÍCULO QUE VIROU LIVRO

Foi o que conquistou o jornalista Paulo Viarte durante o período que permaneceu na Revide, entre 1999 e 2001. “Mesmo tendo deixado a revista há 13 anos, mantenho contato com o pessoal até hoje, especialmente com o Murilo. O ambiente de trabalho era realmente um grande diferencial”, reforça Paulo, que hoje atua como assessor da Fonte Assessoria de Imprensa. Enquanto esteve na Revide, um dos seus maiores prazeres, além de ver a revista impressa, era receber o feedback dos leitores. “Isso compensava todos os esforços de fazer uma revista semanal, que não é tarefa fácil”, comenta. Entre os materiais produzidos, Paulo destaca o projeto Conheça Ribeirão, um conteúdo publicado em fascículos semanais que depois virou um livro. “Esse projeto regatou a história e algumas personalidades que fizeram parte do desenvolvimento de Ribeirão Preto”, recorda. Paulo faz questão de reforçar, também, que sempre acreditou na força da Revide. “Mas confesso que não imaginava que a Revide pudesse chegar ao seu status atual”, finaliza o jornalista.



UMA FELIZ COINCIDÊNCIA

Eu, Luiza Meirelles, integro a equipe da Revide desde maio de 2006. Minha chegada à Revide aconteceu no momento em que me mudei para Ribeirão Preto depois do curso de jornalismo em São Paulo e de uma experiência no exterior. Acompanhei, portanto, a retomada da Revide semanal e sua expansão sustentada: dos então 12 mil exemplares, a revista chegou aos atuais 55 mil. Vi, também, a equipe multiplicar-se, passando de três para sete jornalistas e quase 40 funcionários. Como profissional, aprendi bastante e me reinventei juntamente com a revista até me tornar editora, com muita honra. Entre as matérias já publicadas, talvez a mais marcantes tenha sido uma capa sobre depressão, não apenas pela relevância do tema, mas principalmente pelo feedback recebido dos leitores. Depois de tantos anos, fica difícil me imaginar trabalhando em outro veículo, por isso, posso afirmar que muitas outras pautas marcantes virão.

PRIMEIRO EMPREGO

Apesar de já ter passado por assessoria de imprensa e por um site jurídico, a Revide foi, de fato, o primeiro emprego da jornalista Mariana Secaf, que permaneceu na revista por seis anos e meio. “Foi na Revide que aprendi basicamente tudo sobre jornalismo, tendo tido a oportunidade de melhorar diversas habilidades profissionais”, agradece Mariana, que decidiu investir em seu próprio negócio em 2013, a assessoria de imprensa Ponto é Letra. A jornalista lembra com saudade do trabalho em equipe, do clima e do dia a dia na redação. “Minha relação com a Revide continua, tanto de trabalho quanto pessoal. Acredito no retorno incrível do veículo para os anunciantes e, por isso, recomendo a todos os clientes que atendo”, afirma Mariana. Entre as reportagens que desenvolveu, destaca uma sobre a dor, na qual trabalhou por mais de um mês. “Era um assunto denso e de muito interesse para os leitores. Por isso, tivemos todos os cuidados possíveis na sua formatação”, recorda.




Texto: Luiza Meirelles
Fotos: Julio Sian
Produção: Marcela Versiani
Agradecimento: Grupo Robusti e Estúdios Kaiser de Cinema 



* Publicado em 29/08/2014

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