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Hoje é 31 de Outubro de 2014 - Ano 28 - Edição 734

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Criando oportunidades MOVER compartilha conhecimentos e ajuda os empreendedores da área tecnológica

Ter um negócio próprio é o sonho de várias pessoas e muitas delas estão se movimentando para transformar esse desejo em realidade. É o que mostra a pesquisa “Empreendedorismo no Brasil”, realizada anualmente pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBPQ) e com o Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o apoio do Sebrae. De acordo com o levantamento de 2013, o país ocupa a quarta posição no ranking mundial em número absoluto de empreendedores, atrás da China, da Índia e da Nigéria. Aproximadamente 40 milhões de brasileiros estão atuando de maneira independente. A estatística é significativa e vem apresentando um crescimento gradativo. Porém, para alcançar o êxito nesse universo, ter ousadia e uma ideia brilhante, apenas, não bastam.

O ambiente é competitivo e depende do andamento de alguns fatores externos, principalmente, da situação econômica vigente. Além disso, há uma complexa parte de estruturação e de sustentação do negócio, incluindo uma série de medidas burocráticas a serem cuidadosamente seguidas. Ou seja, a decisão de se tornar um empreendedor não deve ser tomada por um simples impulso. É preciso estar realmente preparado para encarar o desafio. Caso contrário, as chances de se perder no meio do processo são grandes. Em 2004, a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas durante os dois primeiros anos —fase mais crítica — era quase de 50%.


Aos poucos, esse índice, considerado preocupante, foi revertido e, hoje, o cenário vive um momento de prosperidade. De acordo com o levantamento divulgado em 2013, o número de negócios encerrados durante o mesmo período diminuiu para 24%. Essa guinada aconteceu graças a ações de conscientização em várias frentes, articuladas, inclusive, por grupos formados pela própria sociedade. O objetivo é ajudar esses novos empreendedores. Em reuniões, os mentores oferecem informações valiosas e apresentam metodologias surgidas recentemente, como, por exemplo, a Lean Startup. O recurso, que possui como base fundamental a realização de testes e a valorização da opinião do cliente, é aplicado para validar ou invalidar, de maneira antecipada, hipóteses a respeito de uma ideia, produto ou serviço, e dos processos de desenvolvimento ágeis. A regra é: quando errar, descubra cedo e conserte rápido. Assim, as empresas se estabelecem com um grau maior de certeza e ampliam, consideravelmente, as perspectivas de sucesso.

O Movimento Empreende Ribeirão (MOVER) é uma dessas iniciativas. O projeto, com foco em empresas com base tecnológica de alto impacto, nasceu em um encontro despretensioso e informal. A gerente de projetos de uma agência de marketing digital, Paola Miorim, convidou dois amigos para tomar um café no final do ano passado. “Eles tinham opiniões bastante similares. Além disso, eram extremamente engajados nessa causa e demonstravam vontade de colaborar para a evolução do setor. Porém, não se conheciam. Resolvi, então, apresentá-los. Imaginava que esse bate-papo poderia render algo bem interessante como, de fato, aconteceu”, lembra Paola.

Os amigos em questão são Ricardo Agostinho (direita), empreendedor da área de Tecnologia da Informação (TI) e Eduardo Cicconi (esquerda), gerente do Parque Tecnológico da Supera, ambos com vasta experiência no ramo. Durante a conversa, surgiu a vontade de unir esforços em torno do mesmo propósito: fomentar o ecossistema empreendedor na cidade e na região. “Tinha acabado de retornar de uma viagem ao Vale do Silício, nos Estados Unidos, uma região que é referência absoluta no campo da inovação. Foi uma vivência incrível. Pude compreender como aquela engrenagem funcionava e vi a repercussão positiva causada na comunidade. Estava com os pensamentos em efervescência, querendo colocar os conceitos que aprendi em prática. Felizmente, tanto a Paola quanto o Eduardo também passaram por situações semelhantes e compartilhavam desse mesmo entusiasmo”, revela Ricardo.

Foi assim que o MOVER começou a tomar forma. O primeiro encontro aconteceu em março deste ano e contou com a presença de um pouco mais de 20 participantes. “Em nossos estudos e mapeamentos, constatamos que tinha muita coisa acontecendo em Ribeirão Preto. Porém, esses movimentos não conversavam entre si e, dessa forma, não se fortaleciam. Nossa meta era estabelecer uma conexão entre esses vetores, estimulando o networking, essencial para o sucesso de qualquer negócio. Para isso, convidamos algumas pessoas que poderiam nos auxiliar nessa tarefa de orientar, dividindo as histórias e elucidando dúvidas”, explica Eduardo. Cada um trouxe para o círculo sua expertise nas mais diversas áreas, como contabilidade e meios de captação de recursos, assessoria jurídica, gestão administrativa, entre outras. O resultado foi animador e superou as expectativas iniciais.

O grupo composto por empreendedores, empresários, mentores e investidores passou a se reunir periodicamente, com as portas abertas para todos os interessados. Com o aumento no número de adeptos, que hoje gira em torno de 100 pessoas, o projeto foi devidamente oficializado em agosto. “O intuito é ampliar, ao máximo, essa rede de contatos para criar um cenário favorável à criação e à execução de novos projetos. Trabalharemos para que, a partir desse movimento, surjam outras ações e eventos para dar suporte a esse ecossistema, não deixando ninguém sem respostas. Só assim conseguiremos formar a cultura de um empreendedorismo consciente e sustentável, que será revertido no desenvolvimento social, econômico e tecnológico de Ribeirão Preto e região”, enfatiza Paola, que faz questão de destacar que o MOVER é uma iniciativa livre, sem fins lucrativos ou políticos e sem hierarquia. “Não é necessário fazer nenhum tipo de inscrição e não cobramos taxas. Agimos voluntariamente. Não reunimos empresas, mas sim, pessoas físicas ligadas a empresas e a instituições públicas”, explica.


Por causa dessa proposta diferenciada, surgiu um certo questionamento: afinal, o que os fundadores ganham com isso? Eles respondem. “É uma maneira de retribuir tudo aquilo que tive na minha jornada pessoal e profissional. Pretendo abrir caminhos para que mais pessoas tenham acesso a oportunidades. Além disso, quero encontrar e capacitar talentos, aumentando as chances de descobrir bons negócios para empreender e investir”, revela Ricardo. Paola concorda com o amigo. “Desejo, genuinamente, ver esse mercado progredir. É uma doação do nosso tempo e do nosso conhecimento por uma causa nobre. O retorno é uma consequência que vem naturalmente. Estar no meio dessa sinergia, transformar sonhos em realidade, é algo indescritível”, comenta.

Eduardo também expõe seu ponto de vista. “Sou um profundo entusiasta desse assunto. Estudo, ministro aulas, estou à frente do Parque Tecnológico. Realmente acredito que, consolidando essa comunidade empreendedora, Ribeirão Preto terá um lugar de destaque no cenário de inovação tecnológica, atraindo novos talentos e investidores. Portanto, fazendo a minha parte, mesmo que seja um pequeno gesto, sei que estou ajudando ao próximo e colaborando para aprimorar esse setor na minha cidade. Isso é gratificante”, finaliza Eduardo.  Para mais informações sobre o MOVER, acesse o site do movimento.

UM CASE DE SUCESSO

O biólogo e pesquisador em Neurociências, Carlo Rondinoni, conheceu o MOVER através da plataforma Meetup (www.meetup.com/OpenCoffee-Empreendedorismo), que se propõe a facilitar o encontro de pessoas com interesses em comum. Ficou intrigado com a proposta e se inscreveu. Levou à reunião um dos resultados de seu projeto de pós-doutorado em Ressonância Magnética sobre o cérebro humano, realizado com auxílio financeiro da FAPESP. “Construí um protótipo que representa um modelo de cérebro, criado pelos professores franceses Talairach e Tournoux. Em 1989, eles estabeleceram um padrão internacional para o estudo e para a descrição do cérebro no domínio espacial 3D. Entretanto, esse mapa estava restrito a livros e a computadores, ambos com visualização bidimensional de fatias isoladas”, argumenta Carlo. 
Com esse objeto, feito por sobreposições de camadas de borracha EVA, o conceito é reproduzido de maneira mais efetiva e palpável no formato tridimensional. Ao manusear o molde, é possível analisar as faces de cada fatia. Em uma delas, a impressão com jato de tinta traz uma imagem colorida de áreas funcionais e estruturais especializadas. Na outra, um padrão do tipo “QR code” permite o uso do material com uma webcam. O computador se encarrega de mostrar as fibras que ligam as diversas áreas do cérebro entre si. O conteúdo está disponível para consulta e aplicação em sala de aula. Professores da USP de São Paulo e de uma universidade ribeirãopretana estão ajudando a validar o modelo durante aulas de neuroanatomia.
A criação obteve críticas positivas do grupo e Carlo foi incentivado a prosseguir. Inclusive, outros produtos derivados dessa ideia inicial estão em andamento para levar essa ciência ao maior número de pessoas com um baixo custo. “O MOVER foi importante, pois lá, vemos as situações com uma outra perspectiva. Encontrei pessoas de diversas faixas etárias, áreas de atuação, poder aquisitivo e conhecimentos, todas unidas em favor do mesmo objetivo, que é ensinar e aprender sobre empreendedorismo. Isso foi extremamente motivador. Ações como essa tiram os empreendedores da zona de conforto e reforçam o networking. Vale a penha participar!”, finaliza o biólogo.  

 

* Publicado em 31/10/2014

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